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Sangue latino: um diálogo com Criolo sobre educação, cultura, política e a forma brasileira de pertencer a América Latina (2)

Autor:  | Juni 2016 | Artikel empfehlen
Kategorie(n): Dialogando

Quetzal veröffentlicht den zweiten Teil des Interviews mit dem brasilianischen Rapper und Songwriter Criolo, in dem der Geographie-Student Caio Sena mit ihm über die aktuelle politische und kulturelle Situation im Land spricht.
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Brasilien: Rapper Criolo (mitte) mit Kollegen - Foto: Perfexx2) “Não tem problema nenhum você ter cinco refeições por dia ou seis. O grande problema é a maior parte do nosso povo não ter uma refeição por dia. E ainda se sentir culpado por isso”. Achei bastante marcante essa frase que você disse em uma entrevista pra o Canal Brasil. O que você acha que separa os brasileiros dessa possibilidade de se alimentar bem, de melhorar suas qualidades de vida e de habitação (como citou em outro trecho)?

Eu cresci numa favela. Já vi gente morrer, gente de mente fechada e gente de mente aberta, já visitei barraco com bebê recém-nascido e o morro todo parecia que dava um sorriso, entre um e outro abraço de felicidade a esperança entrava em conflito com um talvez futuro impossível. Como responder ao senhor a uma pergunta tão óbvia pra nós? Como ser delicado, suave e contundente a quem jamais imaginou sentiu ou acreditou que existe esta outra realidade? No sofrimento nos tornamos fortes. Mas creia que nossas almas já nasceram fortes e que, por vezes, esta falace pra também amenizar nossa vida tão sofrida. Quem quer nascer na guerra? Quem quer ver um amigo de infância assassinado simplesmente por morar num bairro pobre e isto já ser o álibi do Estado? Quem quer ver um pai ser detido simplesmente pela cor de sua pele? Ou ver uma mãe na década de 90 ser jurada de morte por simplesmente acreditar no seres humanos de seu bairro?

Trago então, ao amigo, algumas questões antigas que não vi em livro ou tese a ser defendida, mas que vivi e vivo num país de tanto potencial e beleza, mas que se encontra numa guerra quente conduzido por almas frias. Aqui dentro sofremos as nossas consequências do que também nos oferece os outros hemisférios com seus pensamentos e interesses que afetam diretamente a economia dos países mais frágeis e como um massacre silêncio o que ocorre nessa outra esfera de poderes na estratosfera dos intocáveis quase que inciseis donos do mundo. Enquanto um ser humano vivo na terra se achar mais que o outro, vamos viver todas as consequências que está soberba nos oferece.

3) Você acha que realmente existe o tão falado “jeitinho brasileiro”? Se sim, entende essa característica como um elemento positivo ou negativo da identidade nacional? O dito “improviso do povo brasileiro” é uma forma de se construir um mundo melhor, mais criativo e afetuoso – como uma mãe que improvisa pertences e mobilhas de seu lar para abrigar melhor seus filhos; ou tem visto esse “jeitinho” escancarando nossa fragilidade ética e sendo incorporado pela população como uma forma colocar o Brasil numa situação onde “tudo é permitido” ou onde “se dá um jeitinho para tudo”?

Sr. tem uns que corre pelo certo e tem uns que corre pelo errado. Agora os motivos e o que cria estes motivos, podem descrever um tanto de muito mais coisas que se encontram por de trás de um jargão, que parece em alguns casos apenas normalizar questões que mereceriam um tanto mais de visibilidade e atenção.

4) Você defende que a arte nos lembra que ainda somos seres vivos. Como você explica a cultura brasileira? Do que o Brasil é feito? Que movimentos ou representações artísticas fez parte de sua formação enquanto ser humano?

O senhor quer que eu explique a cultura brasileira? Que honra alguém achar que eu seria capaz de tal façanha e que bom pra mim não o ser. Posso falar do pouco que vivi e vivo. Acredito que muito que a arte nos oferece é um tanto de quem a constrói e construiu. Somos um tanto África e, digo isso com sorriso nos lábios, somos um tanto índios os verdadeiros donos dessa terra, somos um tanto do mundo. Eu cresci com meus país num barraco em que ouvimos música de todo o Brasil, pois essa música vinha dos outros barracos. E assim como a visita do Hip Hop em minha adolescência, aprendi sobre a música do mundo, sobre a luta dos povos com meus pais e irmãos e sobre a importância do ser. Arte não sei, arte eu sinto.

Senhores donos das leis, senhores que cuidam na nação. Precisamos de modo urgente salvar o pouco que nos resta desta história viva e que está sendo massacrada por guerra de poder. Por favor parem com o MASSACRE que ocorre neste momento aos POVOS INDÍGENAS do BRASIL. Parem com os massacres sociais que não são vistos ou comentados, por ser de modo silencioso, parem de tratar o povo como apenas número, apelo ao bom senso a solidariedade e a justiça que existe em cada um, se perdermos a esperança em nossa espécie tudo vai se encaminhar para um caos sem fim.

5) Achei interessantíssimo seu apoio ao movimento de ocupação das escolas públicas em São Paulo. Em minha cidade (Goiânia), também aconteceram ocupações e resistências, porque está em curso um movimento de se passar a escola pública para a administração por “Organizações Brasilien: Rapper Criolo (mitte) mit Kollegen (2) - Foto: PerfexxSociais”, o que seria, longe de eufemismos, um passo para a privatização e a alteração abrupta na forma da contratação de professores (as). Como você imagina o cenário da educação brasileira para os próximos anos? Você entende suas músicas e posicionamentos políticos inclusos em uma das formas de se educar?

“Sucatear a educação da criança de hoje para manipular o adulto de amanhã” acho que é este o slogan silencioso e invisível das pessoas que tratam arte, educação e cultura como algo menor em nossa sociedade. O rap do Brasil sempre chamou a atenção da sociedade para as desigualdades cruéis de nosso mundo.

6) Você fala que no Grajaú, seu local de origem, as pessoas são afetuosas e se preocupam com o outro sem esperar retribuições. Como você vê atualmente a sensibilidade nas pessoas ao seu redor?

Esta frase descreve que nos lugares que alguns acham que não se tem amor eu recebi todo o carinho do mundo. Cresci num ambiente hostil, mas com pessoas muito amorosas e isso pra mim é a marca de que cada vez mais as pessoas dão sim muito mais espaço para o amor em suas vidas.

7) Como você explica o momento político que o Brasil vive?

Vejo jovens lutando por um país melhor.

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Bildquellen: [1], [2] Perfexx


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